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Minha mãe e o resgate da minha essência!

Elena sem “H”. É assim que se apresenta quando perguntam seu nome. Sua presença é quase impossível de não ser percebida. Primeiro, porque ainda mantém uma beleza sem igual mesmo no auge dos seus 63 anos. Segundo, porque tem uma voz forte e um sorriso contagiante.

Com ela é 8 ou 80. Meio termo, morno, mais ou menos, quase... não lhe agradam. Corajosa e determinada. Irmã de 12. Parte de uma família miserável. Mãe lavadeira e pai carpinteiro. Quando tinham farofa

e ovo para comer, era um luxo. Aos 14 anos se obrigou a largar os estudos e ir trabalhar em casa de família, sem descanso, em troca de comida.

Sua maior tristeza era não ter tido a possibilidade de estudar. Ela guardava com carinho um caderno da escola que, ainda na infância, em uma das mudanças de casa, fora perdido. Mas nada disso tirou de Elena seu sorriso e sua felicidade. Acordava, ligava o som e deixava nossa casa, nossa comida e nossas roupas impecáveis.

Na hora do almoço, delícias simples e gostosas quentinhas na mesa.

Ao final do dia, seu batom e vestido vermelhos estavam no corpo. Seu perfume ia se espalhando pela casa para recepcionar meu pai.

Se fechar os olhos, sinto o cheiro doce.

Na casa dos 40 anos, com os filhos já criados, se matriculou na escola e, com alguma dificuldade, terminou o ensino


fundamental e, logo em seguida, o ensino médio. Ela curtiu aqueles momentos demais. Foi à papelaria e comprou os cadernos e as canetas que nunca pode ter. Lembro como se fosse hoje a ajudando a entender os cálculos matemáticos. Ela participava de todos os eventos da escola ativamente.

Um tempo antes, com uns 30 anos, decidiu que ia aprender a andar de bicicleta. Algo a qual nunca tivera a oportunidade. Pegou minha bicicleta aro 20, cor-de-rosa e foi para o meio da rua sem vergonha alguma, cair e levantar, até que seu corpo enfim se equilibrou após muitas tentativas. E como sou grata porque eu estava lá, aprendendo mais do que ela, com certeza.

O shopping mais perto da minha casa ficava na capital, a uns 40 km de distância total. Precisava pegar 3 ônibus e andar uns 2 km. Mas Elena arrumava a família e nos levava para aquele mundo encantado. Porque esses eram obstáculos muito pequenos em comparação ao que ela desejava que experimentássemos.

Ali eu estava aprendendo a vive


r experiências com prazer e propósito.

Elena, sem “H”, essa é minha mãe. Uma pessoa praticamente sem estudos, mas com quem eu tenho as conversas mais profundas. Quem me faz olhar além do horizonte e encontrar significados que eu nunca havia imaginado. Quem me ensina que a fé realmente move montanhas. Quem me mostra que em tudo o que fazemos tem que ter amor e como é maravilhoso e revigorante ouvir aquele “te amo, minha filha”.

Que me ensina que a beleza está nas pequenas coisas. Quem me inspira todos os dias, mesmo há mais de 2.000km de distância, com o bom dia mais lindo e com as fotos maravilhosas que tira da natureza que a rodeia.

No resgate da minha essência, consigo perceber que sou uma linda fusão dos meus pais. Meu pai me ensinou e continua ensinando, em especial, que o trabalho realmente dignifica as pessoas. Mas foi minha mãe quem me transformou de um


ser, para um ser “humano”. Me ensinou a respeitar o próximo, seja ele quem e como for. Me ensinou a compartilhar. Me ensinou a ser humilde. Me ensinou a ser determinada. Me ensinou


a cair e levantar. Me incentivou todos os dias a ser independente: “eu não estou te criando para ficar em casa minha filha. Tu vai ser independente”. Essas palavras ecoam na minha mente até hoje.

Foi minha mãe quem me ensinou como ensinar, que para alcançar o que desejamos a gente cai e levanta até conseguir, e que me ensinou, olhem só, que sempre é tempo.

O resgate da nossa essência é um processo lindo em que revivemos momentos e situações que, no dia a dia, vamos deixando de lembrar. Nos remete à infância ou até mesmo antes dela. Lá na origem dos nossos pais, avós.


Hoje, por alguns minutos, lembre sua infância. Quais memórias afetivas vêm à sua cabeça? Volte um pouco mais no tempo. Qual a origem dessas memórias? O que deu origem a elas? Como foi a história dos seus pais. O que disso ficou em você?

Quando resgatamos nossa essência, a descoberta do tão sonhado e almejado propósito se clarifica diante dos nossos olhos.

E, tudo isso me remete ao meu propósito: instigar o seu melhor para que você seja feliz e realizado em seu trabalho. Quiçá, com um muita pretensão em meu desejo, que você seja realizado e feliz em sua vida como um todo.

Não esqueça: sempre é tempo!

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